Homo sapiens

Homo sapiens é um dos livros mais interessantes que eu já li. Ele conta de uma maneira intrigante e curiosa toda a história da huminadade, de onde viemos, onde estamos e para onde podemos ir. Noah Harari é um ph.D em história pela Oxford e para contar a história dividiu o livro em 4 grandes partes:

  1. A revolução cognitiva
  2. A revolução agrícola
  3. A unificação da humanidade
  4. A revolução científica
A biologia separa qualquer ser vivo em famílias, generos e espécies. Independente do tipo de ser vivo. Nos, seres humanos somo da família dos primatas. Nosso ancestral mais próximo são os chimpanzés. Em algum momento da história um chimpanzé deixou de ser chimpanzé e se tornou Homo sapiens. Assim, nossa espécie é sapiens, do genero Homo, da família dos primatas. 

A Revolução cognitiva

O Homo sapiens não foi a única espécie existente do genero Homo. De fato, diversas foram as espécies existentes no planeta terra e cada uma adaptada a sua localização geográfica e necessidades básicas de sobrevivência. No entanto, o sapiens foi a espécie que se destacou dos demais, muito devido ao fato de pensar, pensar principalmente para sobreviver, se adaptar.

Há apenas 400 mil anos os homo sapiens começaram a caçar outras espécies de animais para se alimentar e dessa maneira chegaram ao topo da cadeia alimentar. Começaram também a formar pequenas colonias pois aprenderam que juntos poderiam sobreviver por mais tempo e facilitava a cooperação. Começou então o período chamado de caçadores-coletores, onde o ser humano precisava se deslocar até o alimento para coletá-lo. Então veio a descoberta do fogo, o primeiro marco da revolução do homo sapiens. 

Ao se tornarem coletores os seres humanos se viram obrigados a viver em comunidade, no entanto, quando esta comunidade crescia demais ficava muito difícil manter o controle e o bando se dividia. Então, a segunda parte da revolução cognitiva entrou em cena: a habilidade do ser humano criar ficções. Os mitos coletivos enraizados em cada um faziam com que uma unidade fosse mais fácil de ser conduzida, pois haviam pensamentos em comuns. 

Em resumo a revolução cognitiva marca o ponto em que a história declarou sua indepêndencia da biologia, pois o homo sapiens adquiriu a capacidade de transmitir maiores volumes de informações sobre o mundo que cercava, suas relações sociais e suas crenças ficticias. 

A Revolução agrícola

Harari explica nessa parte do livro, através de vários exemplos e raciocínios porque a revolução agrícola pode ter sido a maior fraude da história da humanidade visto que houve uma forte alta na oferta de comida no mundo porém não resultou em uma dieta melhor ou melhores condições de vida em média.

Os caçadores-coletores não ligavam para o futuro porque viviam um dia de cada vez, tendo dificuldade em conservar comida ou acumular posses. A revolução agrícola transformou o futuro em algo muito mais importante do que havia sido até então.

Assim, para proteger o futuro as civilizações começaram a ordenar a vida. No entato, está ordem só existia na imaginação destes pois foi enraizada no mundo material, molda nossos desejos e é intersubjetiva. Assim é até hoje. E, infelizmente, da maneira como foi concebida, para modificar uma ordem imaginada existente devemos acreditar numa ordem imaginada alternativa. E, como essa ordem imaginada não pode ser replicada no DNA, tal ordem mudou diversas vezes durante a história e irá mudar outras ainda.

Assim, a revolução agrícola resultou na capacidade de manter mais pessoas vivas em condições piores.

A unificação da humanidade

Devido ao fato do futuro começar a ter mais importante na revolução agrícola e ordem imaginadas começarem a controlar sociedades, a humanidade começou a sentir a necessidade de compartilhar de uma ordem unificada. A primeira ordem universal a surgir foi a econômica, especificamente o dinheiro. A segunda ordem foi política. A terceira foi religiosa. 

O dinheiro é o maior exemplo de uma ordem imaginada ficcitia que somente o Homo Sapiens poderia criar devido a toda sua evolução. O dinheiro não é uma realidade material. No entanto, o dinheiro é o único sistema de confiança capaz de superar praticamente qualquer abismo, cultural, religioso, de genero, raça, idade ou orientação sexual.

Com a globalização do fator unificador chamado dinheiro, diversos povoados construíram impérios e religiões para tentar conquistar a maior parcela da população e dessa maneira tornar a sua ordem imaginada na ordem imaginada de todos. Durante diversos anos a humanidade passou por diversas guerras e disputas de territórios, todos usando o arguemento de unficação da humanidade. 

A Revolução científica

A última revolução que aconteceu até o momento com a humanidade se baseou em um simples fato: o homo sapiens assumiu que não sabe de tudo e há muito ainda a ser descoberto. 

Até então, as religões e impérios criados forçavam suas ordem imaginadas a população e o que era transmitido deveria ser tomado como lei. Sabe-se que a primeira versão de como funcionava o universo pregava que a terra era o centro de tudo e o resto girava ao redor. Tal fato só foi desmentido porque Copérnico foi humilde em acreditar que não sabia se isso era verdade. 

Assim, os impérios começaram a descobrir elementos no mundo e, o mais importante, criaram o hábito de buscar o conhecimento. Logo, foram desenvolvidas as primeiras embarcações de desbravamento de terras e, tampouco novos continentes foram descobertos, novas culturas também foram e por conseguinte novas matérias primas e elementos de troca. Os Europeus foram os pionerso nestas atividades e por isso possuem o maior número de colônias no planeta. No entanto, estes também criaram o sistema carcerário mais terrível da humanidade: a escravidão. Com o intuito de explorar terras de forma mais eficiente, o Europeus começaram a traficar escravos Africanos para estas novas terras utilizando o seu maior poderil bélico e de conquista.

Logo que a atividade de exploração se provou lucrativa para os grandes império, criou-se a segunda fraude da história da humanidade: o sistema de crédito. Para patrocinar as explorações, as pessoas começaram a concordar em representar bens que não existiam no presente – por exemplo x quantidade de ouro – em um tipo especial de dinheiro chamado crédito. Então, o responsável de uma exploração que não tinha o dinheiro para desenvolvê-la ia até quem tinha e solicitava o dinheiro em forma de crédito, argumentado pagá-lo com os resultados das explorações. 

É difícil dizer, no entanto, o crédito resultou no crescimento econômico real da humanidade. Dessa maneira é descrita a economia moderna, a busca incestante por lucro gera maior confiança e maior disponibilidade de crédito. No entanto, as vias de busca deste lucro podem ser doloridas, assim como foi a escravidão, hoje ainda temos trabalhadores que voltam para casa com menos comida de que seus antepaçados, assim como aconteceu na revolução agrícola. 

A evolução moldou nossa mente e nosso corpo para a vida de caçadores-coletores. A transição para a agricultura e para a industria nos condenou a levar uma vida antinatural que não pode proporcionar a plena expressão de nossos instintos e das nossas inclinações, assim, não é capaz de satisfazer nossos anseios mais profundos e, por conseguinte, nós continuamos a acreditar na ordem imaginada.

O complicado é que não podemos mais viver sem o capitalismo, mesmo que não gostemos. O próximo estágio da história não incluirá apenas transformações tecnológicas e organizacionais como tabmém transformações fundamentais na consciência e na identidade humanas. Talvez, seja o fim do homo sapiens e o início de uma outra espécie humana.

Resumo

Estima-se que o universo tenha aproximadamente 13,5 billhões de anos, a terra se formou há 4,5 bilhões de anos e nós, do genero homo, temos apenas 2,5 bilhões de anos.

Comparado a história do universo nós somos seres insignificantes e apenas mais uma espécia que habitou tal ecossistema. No entanto, é importante notar que conquistamos muitas coisas até agora que nenhuma outra espécie que conhecemos fez. Demos origem a feitos históricos e importantes a humanidade, como a redução da mortalidade infantil. Porém também criamos elementos que trouxeram diversas batalhas ao mundo, como o dinheiro.

O futuro definitivamente é incerto ao Homo Sapiens, no entanto, a lição retirada do livro de Harari é que devemos aproveitar a vida que temos fazendo o bem, sendo generoso e expressando gratidão por fazer parte da história humana. Talvez no futuro uma outra espécie esteja lendo isso e, espero que estas palavras possam ter ajudado com algum tipo de reflexão. 

A igualdade só pode ser assegurada se as liberdades dos privilegiados foram limitadas.

Estar satisfeito com o que já se tem é muito mais importante do que obter mais daquilo que se deseja. 

RUS, 24 de Março de 2023.